A importância da colaboração para a construção do conhecimento

Na visão de Terra e Gordon (2002), a evolução do conhecimento depende do trabalho coletivo e não individual. Isto porque o conhecimento é visto como uma construção social e está vinculado a participação humana.

Se acumulado e mantido apenas em nível individual, o conhecimento poderá se desenvolverentretanto, numa escala  inferior  do  que  se  o  mesmo  fosse  compartilhado socialmente.  Isto porque o conhecimento nasce a  partir  de  ões  individuais, é difundido organizacionalmente por diferentes interpretões e percepções através das relões pessoais. O resultado dessa interação é um novo conhecimento, ampliado e refinado.
Desse modo, para que o conhecimento seja criado é fundamental segundo Corrêa (2004), que haja o compartilhamento de saberes, opiniões e idéias, nesta linha de discussões e debates, sobressaia como resultado um novo conhecimento. Corroborando, Terra (2000) compreende que o compartilhamento propicia a criação de círculos virtuosos de geração de conhecimentos.
Para Nonaka e Takeuchi (1997) a criação de novos conhecimentos depende da interação connua entre as pessoas. Esse processo é desenvolvido pela troca social entre os conhecimentos tácito e expcito de cada  indivíduo e entre indivíduos (a nível intra e inter organizacional) denominado “conversão do conhecimento3. Seguindo abordagem dos autores, o conhecimento coma a nível individual e é desenvolvido coletivamente.
Portanto, o processo de criação de conhecimento depende da contribuição individual e da interação que ocorre dentro de um dado grupo por meio de diálogos e debates. A partir de tais interações, novas perspectivas  são  criadas  impulsionando  os  indivíduos  a  questionarem  as premissas existentes e a compreenderem suas experiências de uma nova forma. Com base nessas interações o conhecimento deixa de ser parte e coma a ser todo, a ser coletivo.
O conhecimento coletivo, fruto do compartilhamento de conhecimentos individuais, representa algo maior do que a soma desses conhecimentos em separado.
Todavia, para que o conhecimento coletivo se desenvolva é preciso que haja  um engajamento comum  entre os indivíduos, pautado na sinergia das relões entre eles. Ou seja, segundo os autores Nonaka e Takeuchi (1997) é necessário atitudes e posturas permeadas por um senso de colaboração.
Como  essência,  a  colaboração  pressupõe  que  dois  ou  mais  indivíduos  trabalhem conjuntamente  trocando idéias e experiências entre si, surgindo como fruto da interação entre eles novos conhecimentos, favorecendo ambos. Desse modo, todos indivíduos devem participar pois cada um possui modelos mentais,  experiências, insights únicos que podem enriquecer o todo. Tal abordagem vai ao encontro do termo definido por Lévy (1998, p.28) de inteligência coletiva”, onde o autor baseia-se no “enriquecimento mútuo das pessoas[...].Ninguém sabe tudo, todos sabem alguma coisa, todo o saber está na humanidade”.
O sentido de colaboração pode ser apresentado fazendo-se uma analogia através da Lei de Metcalfe4. Esta  lei contextualiza o valor dos sistemas de comunicação, possuindo o seguinte enunciado: o valor de um sistema de comunicação cresce ao quadrado do mero de usuários do sistema”.
Um exemplo de aplicação da lei é quanto ao uso do telefone. Se apenas um indivíduo o possuir, o  telefone não terá utilidade nenhuma. Pom se dezenas ou centenas de indivíduos possuírem o aparelho, eles poderão se comunicar entre si, agregando assim valor de uso.
O mesmo princípio pode ser afirmado quanto a colaboração pois quanto maior o espírito de colaboração, o compartilhamento será intensivo propiciando um maior mero de interações interpessoais e conseentemente um novo conhecimento será criado com mais valor, gerando benefícios a todos. Isso porque se o indivíduo compartilhar um determinado conhecimento, este será refinado coletivamente. Do mesmo modo, se mantido em nível individual o conhecimento será empobrecido.
Na visão de Hills (1997, p.49) a colaboração potencializa o senso coletivo, agregando valor e trazendo benefícios ao grupo. Segundo a autora,


a colaboração estimula o trabalho em conjunto gerando benefícios no sentido de produzir um produto muito maior que a soma de suas partes. Durante  o  processo os  colaboradores desenvolvem uma compreensão compartilhada muito mais profunda do que seria se tivessem trabalhando sozinhos ou contribuído com uma pequena parte do produto final.


Um exemplo da aplicabilidade da colaboração é quanto as grandes descobertas que ocorrem na medicina, ciência e outros campos, onde a partir da interação e esfoo de dois ou mais colaboradores novos conhecimentos são criados.
Nessa perspectiva, para que os indivíduos colaborem coletivamente é preciso um espo que permita o diálogo, a discussão, o contato, a interação entre eles. É exatamente nesse contexto que os ambientes de aprendizagem podem atuar a fim de intensificar a ptica colaborativa.

Vamos conversar! Por que é impossível ser feliz sozinho (Tom Jobim)?

Trecho retirado do artigo A contribuição da Web 2.0 nos sistemas de educação online, apresentado no 4º Congresso Brasileiro de Sistemas – Uni-FACEF, Franca/SP, 2008, por: Adriano Carlos Ribeiro (adrianocribeiro@hotmail.com) - PPGEGC/UFSC e Cláudio Henrique Schons (claudioschons@gmail.com) - PGCIN/UFSC. 

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